
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu, nesta terça-feira (14), a formulação de um Projeto de Lei voltado à melhoria das condições de trabalho de motoristas e entregadores de aplicativos no Brasil, além de destacar os investimentos na educação como foco central de sua gestão. Durante entrevista concedida aos jornalistas Leonardo Attuch (Brasil 247), Kiko Nogueira (DCM) e Renato Rovai (Revista Fórum), o chefe do Executivo detalhou as negociações para garantir seguridade social à categoria, reiterou o apoio ao fim da escala de trabalho 6x1 e apresentou dados sobre a ampliação da rede de Institutos Federais pelo país. Regulamentação e infraestrutura para trabalhadores de plataformas O governo federal atua no desenvolvimento de um Projeto de Lei que deve ser estruturado em comum acordo com a categoria de trabalhadores de plataformas digitais. Segundo o presidente, a intenção é evitar medidas precipitadas e proporcionar garantias reais à classe. “A gente não tem que fazer nada de forma atabalhoada. O que nós precisamos é trabalhar com muito afinco, ouvir o máximo de gente que a gente puder ouvir, para que seja um Projeto de Lei acordado por todos eles”, afirmou. A discussão engloba a diversidade do setor, que inclui desde motoristas de carros até entregadores de motocicletas e bicicletas. Lula apontou a disparidade de ganhos na relação de trabalho, ressaltando que "as plataformas ganham muito e eles ganham pouco". Entre as propostas em estudo, o presidente mencionou a necessidade de garantir infraestrutura básica para esses profissionais, como locais para banho, troca de roupas e recarga de celulares. Adicionalmente, revelou que o governo busca alternativas para facilitar o financiamento de motocicletas, incluindo pesquisas sobre a importação de modelos mais baratos da China, com o objetivo de aumentar a margem de lucro dos entregadores. Seguridade social e a defesa do fim da escala 6x1 A proteção previdenciária foi apontada como um ponto crítico nas negociações. A gestão defende que o trabalhador tenha amparo do Estado em caso de acidentes, sugerindo que as próprias plataformas digitais possam arcar com essa contrapartida. "O que ele não pode é ficar abandonado", enfatizou. Na mesma agenda trabalhista, o presidente reiterou sua posição favorável ao fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso). Ele argumentou que, após quase 60 anos do modelo de oito horas diárias, o avanço tecnológico global exige a redução da jornada, permitindo aos trabalhadores mais tempo livre para estudo, lazer e convivência familiar. Lula direcionou um apelo à juventude para que se engaje no debate e pressione o governo e o Congresso Nacional. "Nós não estamos governando para nós. Nós temos que governar para eles. E se eles demonstrarem essa disposição, não há por que a gente não dar a eles a jornada que eles precisam", declarou. Custos prisionais contrapostos a investimentos no ensino A área educacional pautou a segunda metade da entrevista. O presidente classificou o ensino como a "principal mola propulsora do crescimento de um País" e apresentou indicadores recentes, como o aumento do índice de crianças alfabetizadas na idade certa, que passou de 36% em 2021 para 66% em 2025. Para justificar os aportes na área, Lula traçou um comparativo financeiro entre o sistema prisional e a educação pública. Segundo os dados citados, a manutenção de um preso em uma penitenciária de segurança máxima federal custa R$ 40 mil por ano, e em uma delegacia estadual, R$ 35 mil anuais. Em contrapartida, um estudante do curso de engenharia aeroespacial na Universidade Federal do ABC representa um investimento de R$ 20 mil por ano, enquanto um aluno de Instituto Federal custa R$ 16 mil anuais. "Menos da metade do que custa um prisioneiro", comparou. Expansão dos Institutos Federais e políticas de inclusão O Executivo estabeleceu a meta de entregar 780 Institutos Federais até o término do atual mandato. Como parâmetro, o presidente lembrou que foram construídos 140 institutos no país ao longo de um século. Até o momento, 106 novas unidades já foram aprovadas. O novo ministro da Educação, Leonardo Barchini, tem recebido demandas de prefeituras interessadas na expansão do projeto; 76 municípios já ofereceram prédios prontos para abrigar novas instalações. Ao final da entrevista, o presidente analisou as críticas frequentes do mercado financeiro às despesas do governo. Lula afirmou que existe uma divergência crônica com o setor, referindo-se especificamente ao mercado da "Faria Lima", uma vez que o segmento financeiro prioriza as taxas de juros em detrimento de investimentos sociais. O chefe do Executivo garantiu que o governo não recuará e continuará destinando recursos para as camadas mais vulneráveis. "Eles não sabem que nós vamos fazer muito mais investimento em política de inclusão social, porque o povo brasileiro merece um pouco mais do que tem", concluiu.