
O Ministério da Saúde apresentou nesta terça-feira (14), durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, um balanço que registra a queda de 75% nos casos prováveis de dengue no Brasil em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A retração, atribuída ao fortalecimento da vigilância, testagem e uso de tecnologias de controle vetorial, acompanha o avanço no controle epidemiológico de outras infecções no país, como a malária, que atingiu sua menor taxa de incidência desde 1979, e a doença de Chagas. De janeiro a 11 de abril de 2026, o país contabilizou 227,5 mil casos prováveis de dengue, número inferior aos 916,4 mil registrados no mesmo período de 2025. A diminuição consolida uma tendência observada desde o ano anterior, que fechou com 1,7 milhão de casos, após o pico histórico de 6,6 milhões de registros em 2024.
"Mesmo com esses avanços, a dengue ainda é a doença que mais nos desafia. Sabemos que há uma grande expectativa em relação à produção de vacinas e ao desenvolvimento de novas alternativas tecnológicas, e seguimos trabalhando para ampliar cada vez mais as ferramentas de prevenção e controle", declarou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.Entre as medidas adotadas de forma coordenada entre o governo federal, estados e municípios, destaca-se a ampliação de ovitrampas, atualmente em 1,6 mil municípios, com meta de alcançar 2 mil até o final de 2026, o uso de insetos estéreis irradiados e o método Wolbachia, direcionado a 72 municípios prioritários. No campo da imunização, mais de 1,4 milhão de doses da vacina contra a dengue foram aplicadas no público de 10 a 14 anos desde 2024. Em 2026, três municípios-piloto passaram a receber a vacina nacional de dose única do Instituto Butantan para a faixa de 12 a 59 anos. Profissionais de saúde também compõem o grupo imunizado, com mais de 300 mil doses administradas. Malária tem menor número de casos desde 1979 Os indicadores de 2025 apontaram uma queda geral de 15% nos casos de malária em relação a 2024, estabelecendo a menor marca em quase 50 anos. A redução nos diagnósticos chegou a 30%, puxada principalmente pelos territórios indígenas. Os óbitos em decorrência da doença caíram 28%, passando de 54 para 39. Na Terra Indígena Yanomami, especificamente, as infecções diminuíram 22% e as mortes, 80%. A resposta epidemiológica envolveu a intensificação da busca ativa, maior oferta de testes rápidos e a expansão do tratamento. Mais de 25 mil pacientes receberam a tafenoquina, medicamento cuja versão pediátrica foi introduzida em 2026. Como reconhecimento ao cumprimento de critérios de qualidade na vigilância e controle, cinco municípios de Rondônia (Porto Velho, Candeias do Jamari, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste e Cujubim) receberam o selo bronze de Boas Práticas para eliminação da malária. Monitoramento da doença de Chagas Para o controle da doença de Chagas, o Ministério da Saúde anunciou um incentivo financeiro de R$ 11,7 milhões destinado ao fortalecimento da vigilância entomológica em 155 municípios espalhados por 17 estados brasileiros. O foco é apoiar o monitoramento de vetores em áreas de maior risco. O acesso a testes e medicamentos para a doença registrou um crescimento superior a 130% entre 2023 e 2025. Paralelamente, a rede diagnóstica foi ampliada com a aquisição de 1,15 milhão de testes rápidos, um volume seis vezes maior que o de 2022. Os municípios goianos de Anápolis e Goiânia receberam o selo bronze pelas boas práticas na eliminação da transmissão vertical da doença. Metas até 2030 e o Programa Brasil Saudável As ações integram o Programa Brasil Saudável, que atua em 25 estados, no Distrito Federal e em 207 municípios prioritários com o objetivo de eliminar uma série de doenças como problemas de saúde pública até 2030. Os resultados recentes do programa incluem: