
Na próxima sexta-feira (24), a companhia artística Mais Um Ponto, Mais Um Conto irá apresentar o espetáculo infantil gratuito ‘Calunga: a princesa que virou boneca’, no Espaço Cultural do Grupo de Teatro Rerigtiba, em Anchieta. A montagem vai percorrer também os municípios de Serra, Colatina, Vitória e Guaçuí. A proposta é levar ao público uma narrativa que articula ancestralidade, cultura popular e protagonismo negro, ampliando o acesso à arte e fortalecendo o diálogo com diferentes comunidades. O projeto é realizado com recursos do Edital n° 19/2024 - Culturas para Infâncias, da Secretaria da Cultura (Secult), e conta com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), do Governo Federal. A peça aborda aspectos da cultura afro-brasileira e apresenta temas como amizade, coragem e amor por meio de narrativas que destacam o uso dos próprios dons para o bem. A obra acompanha a trajetória de uma princesa destemida que descobre, em sua jornada, o verdadeiro significado de pertencimento até que um acontecimento inesperado transforma seu destino: para cumprir sua missão, Calunga se torna boneca. Com linguagem que integra oralidade, dramatização, dança, manipulação de bonecos, projeções e música, o espetáculo constrói uma experiência cênica imersiva e sensível para o público infantil. De forma leve e lúdica, a narrativa dialoga com referências da cultura popular afro-brasileira e capixaba, conectando a história de Calunga à Lenda da Casaca. A origem da personagem está ligada aos vínculos ancestrais entre países do continente africano e o Brasil. No contexto brasileiro, a Calunga é um elemento sagrado, com relação direta com o Maracatu, tradição do Nordeste, e que também se associa ao Congo capixaba. Ao trazer essa simbologia para o centro da cena, o espetáculo fortalece a presença de uma menina negra em lugar de protagonismo e reafirma a importância de narrativas construídas a partir de perspectivas negras. A obra também valoriza o papel dos griôs como guardiões e multiplicadores de saberes, colocando a história, a oralidade e a literatura negra como bases fundamentais para a construção de uma sociedade culturalmente consciente. A proposta dialoga diretamente com as Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tratam da obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. Reconhecimento nacional Calunga foi destaque no Festival Nacional de Teatro de Guaçuí, onde conquistou oito dos dez prêmios da categoria, incluindo Melhor Espetáculo para Infância e Juventude, Direção, Texto, Atriz, Ator Coadjuvante, Iluminação, Cenografia e Trilha Original, além de um prêmio especial do júri pela forma sensível com que aborda temas complexos. Durante o festival, o espetáculo também recebeu a avaliação de um dos jurados como “uma obra de utilidade pública”, reafirmando sua relevância artística e social. Criadora do espetáculo, Eliane Correia declara que “a obra dialoga com a realidade de inúmeras meninas pretas que não se veem representadas em nossas literaturas para infância e juventude, é uma forma de mostrar que também existem princesas negras e que nem toda princesa é educada só para enfeitar palácios. A partir de uma pesquisa histórica que reúne depoimentos, dança, musicalidade e elementos lúdicos, buscamos recontar a história de Calunga para despertar o pertencimento cultural e valorizar narrativas de luta, resistência e conquistas de crianças negras. Promovendo o protagonismo infantil a partir de suas raízes ancestrais.” Ações formativas O projeto também realiza a oficina ‘Boneca Abayomi: Afeto, Cultura e Identidade’, voltada para meninas de 6 a 12 anos, totalmente gratuita e aberta ao público. A atividade propõe uma vivência educativa e cultural por meio da confecção artesanal das bonecas Abayomi, feitas com retalhos de tecido e sem o uso de costura. A oficina integra história, arte e expressão, estimulando a criatividade, o fortalecimento da autoestima e o reconhecimento da identidade cultural, além de promover valores como respeito, empatia e convivência coletiva. Com duração de quatro horas, a metodologia inclui roda de conversa, momento de criação e encerramento simbólico com práticas culturais. Acessibilidade O projeto também contará com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras e dispositivos de apoio para pessoas com sensibilidade sensorial, garantindo maior equidade no acesso às apresentações. Sobre a Companhia A CIA Mais Um Ponto, Mais Um Conto reúne artistas e contadores de histórias que desenvolvem pesquisas sobre narrativas populares e autorais, atuando na difusão da cultura brasileira por meio da literatura, da música e do audiovisual. O grupo também realiza oficinas, intervenções artísticas, ações formativas em escolas, comunidades e eventos culturais. Ficha Técnica: