
As centrais sindicais e movimentos sociais mobilizam os trabalhadores do Espírito Santo neste 1º de maio, Dia do Trabalhador, para manifestações em Vitória e na Serra, tendo como reivindicação central o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho. Os atos, articulados para unir pressão política e programação cultural, visam influenciar o debate que atualmente tramita no Congresso Nacional e alertar para o adoecimento psicológico da classe trabalhadora decorrente de jornadas exaustivas. A construção coletiva dos protestos é organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central e Força Sindical. Na capital capixaba, a concentração ocorre na Praça Getúlio Vargas, no Centro, das 8h às 14h. Antes, os trabalhadores da construção civil realizam uma assembleia na Praça Oito para o fechamento da campanha salarial, seguida de caminhada até o local principal. Na Serra, o ato político está convocado para as 8h, na Praça Encontro das Águas, em Jacaraípe. A programação em Vitória foi desenhada para acolher as famílias, contando com atividades voltadas para o público infantil. O formato cultural inclui apresentações de mulheres sambistas e encerramento com o bloco Regional da Nair. Segundo a presidente da CUT-ES, Clemilde Cortes, a formatação do evento busca unir reivindicação e convivência: “É um dia de luta, mas é também de confraternização. Temos pouca oportunidade para isso”. Adesão popular e impacto na saúde mental O debate sobre a redução da jornada ganhou projeção nacional por meio do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende o fim do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso. O estudo "Atlas da Escala 6x1 no Brasil", realizado em 2025 com mais de 3,7 mil trabalhadores de 394 municípios, fundamenta a principal pauta das manifestações. A pesquisa revela que 70% dos trabalhadores enfrentam estresse ocupacional, e 27% apresentaram atestados médicos no mês anterior ao levantamento. Fadiga crônica, irritabilidade e prejuízos à convivência familiar estão entre os fatores de adoecimento relatados. No Espírito Santo, os dados apontam a extensão do impacto. O estudo contabiliza mais de 600 mil vínculos empregatícios com carga superior a 40 horas semanais. Desses, 235,2 mil estão no setor de serviços. As funções mais afetadas incluem vendedores do comércio varejista (35,4 mil), faxineiros (19,3 mil), operadores de caixa (15,3 mil) e motoristas de caminhão (12,1 mil). A pesquisa também ressalta que a escala 6x1 afeta desproporcionalmente jovens, mulheres e trabalhadores negros. A presidente da CUT-ES, Clemilde Cortes, reforça o alerta para o esgotamento. Segundo ela, há aumento nos casos de adoecimento motivados por "doença psicológica, com exigência de metas, sobrecarga de trabalho e assédio". A dirigente cita o apelo social da pauta: “74% da população defende o fim da escala 6 por 1. Isso não é pouca coisa”. O coordenador estadual do VAT no Espírito Santo, Vinícius Machado, indica que a mobilização visa pressionar votações ainda no primeiro semestre de 2026. “O grito de um trabalhador esgotado se tornou a maior luta do Espírito Santo e do Brasil na atualidade, e vamos continuar nessa luta até que o trabalhador tenha de fato dignidade e vida além do trabalho”, pontua Machado. Propostas divergem no Congresso Nacional A pressão das ruas encontra eco e resistência no Congresso Nacional, onde diferentes propostas disputam a regulamentação do tema. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prioriza a tramitação via Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Duas delas já avançaram na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e seguem para comissão especial: