
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira (21) da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo, onde teceu duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e relatou embates diplomáticos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o evento, que marcou a entrega de veículos para a saúde e o anúncio de novos equipamentos culturais, o chefe do Executivo federal ironizou o financiamento privado buscado pela família Bolsonaro e defendeu o fortalecimento das fronteiras brasileiras para garantir a soberania sobre a Amazônia. Polêmica sobre a "lei Vorcaro" O ponto alto do discurso presidencial foi direcionado às recentes revelações de que o senador Flávio Bolsonaro buscou financiamento com o ex-banqueiro, e agora presidiário, Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias, para a produção do filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. Sem citar nominalmente o parlamentar no primeiro momento, Lula afirmou que a atual gestão federal não necessita de subterfúgios para o fomento cultural. “Como a verdade não falha, nós nunca fomos atrás da lei Daniel Vorcaro para financiar nenhum artista brasileiro”, declarou o presidente. Na sequência, Lula subiu o tom contra o filho do ex-presidente, destacando o montante envolvido nas negociações. “Quem imaginava que aquele menino, que parecia ser a pessoa mais santa da família Bolsonaro, tivesse pegando 159 milhões de dólares para fazer um filme do pai? Ninguém imaginava. E isso é apenas o que a gente sabe agora”, disse. O petista acrescentou ainda que "vai aparecer muito mais coisa" e enfatizou que "o período da mentira, das ofensas, da violência e da incivilidade precisa acabar" no país. Soberania e o alerta sobre Donald Trump Outro foco do pronunciamento foi a relação do Brasil com os Estados Unidos e a proteção do território nacional. Lula avaliou que o país encontra-se "desguarnecido" e citou diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, como um exemplo da necessidade de o Brasil proteger a Amazônia.
“Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, disse que o Canadá é dele, disse que o canal do Panamá é dele, quem diz que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”, questionou o presidente. Ele relembrou a Guerra do Paraguai para ilustrar os riscos de invasão e garantiu que o governo irá reforçar a proteção do país.Lula também compartilhou bastidores de sua recente ida a Washington, no início do mês, afirmando que propôs a Trump uma "guerra de narrativas" baseada em dados, e não em conflitos. “Eu disse a ele: ‘Não adianta. Não quero guerra com você. Quero mostrar, com números, que você está errado e o Brasil está certo’”, relatou. Segundo Lula, Trump "acha que pode governar o mundo pelo Twitter", mas o Brasil não deve se intimidar diante de posturas internacionais rígidas, pois é preciso ter medo "de quem fala sério", e não "de quem fala grosso". Ainda sobre a relação com os EUA, o presidente revelou ter cobrado das autoridades americanas a extradição de Ricardo Magro, empresário investigado por fraudes com combustíveis que atualmente reside em Miami. “Eu entreguei o endereço e pedi: ‘me manda esse aí de volta’”, pontuou. Primeira-dama e o combate à "machosfera" A abertura do evento também contou com o discurso da primeira-dama, Janja da Silva, que direcionou sua fala ao combate à misoginia nas redes sociais, com foco no movimento red pill, classificado por ela como "machosfera". Janja alertou que essas narrativas, disfarçadas de entretenimento em plataformas como o TikTok, atingem principalmente jovens de 12 e 13 anos. “A realidade que o red pill fala lá na internet não é a realidade em que nós acreditamos, não é o Brasil que nós queremos”, declarou a primeira-dama, pedindo que os pontos de cultura atuem como espaços de transformação de mentalidades. O discurso ocorreu um dia após o presidente Lula assinar, na quarta-feira (20), dois decretos com regras mais rígidas para plataformas digitais. As medidas obrigam a remoção de imagens íntimas vazadas sem consentimento em até duas horas após a notificação e criam mecanismos de combate a deepfakes sexuais gerados por inteligência artificial. Entregas para Cultura e Saúde no ES A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que não era realizada há 12 anos, reúne até o próximo sábado (24) cerca de 870 delegados de todo o país. Ao lado da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que classificou o presidente como um "símbolo de cuidado e proteção", Lula formalizou importantes repasses para o Espírito Santo e para o setor cultural brasileiro. Ações na Cultura Decretos e Portarias: Assinatura do decreto de reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e regulamentação da Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares, além do Programa Festejos Populares do Brasil.