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O Ministério da Fazenda divulgou, nesta quinta-feira (21), na capital federal, o balanço parcial do Novo Desenrola, registrando aproximadamente R$ 12 bilhões em dívidas renegociadas desde o lançamento da iniciativa, no início de maio. O programa do governo federal, criado para frear a alta inadimplência no país, oferece descontos, juros limitados e novos prazos para famílias, estudantes, empresas e produtores rurais, e autorizará a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação dos débitos a partir da próxima semana. O impacto nas famílias Dividido em quatro frentes principais, o programa tem as famílias brasileiras como um de seus maiores focos. Somando os pagamentos à vista e os financiados, o chamado "Desenrola Famílias" já movimentou cerca de R$ 10 bilhões em dívidas renegociadas.

“O programa já alcançou mais de 1 milhão de CPFs e cerca de 1,1 milhão de operações. O que aumentou nos últimos tempos foi o serviço da dívida das famílias. Instigar esse efeito de redução no serviço da dívida é muito satisfatório para a gente”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante a coletiva de imprensa.
O Ministério da Fazenda detalhou os números referentes às pessoas físicas: Uso do FGTS e restrição a "bets" Para ampliar a capacidade de pagamento dos devedores, a equipe econômica liberou o uso do FGTS no abatimento das dívidas. As consultas estarão disponíveis a partir de 25 de maio, e as renegociações com o fundo começam no dia 26. A regra permite a utilização de até 20% do saldo disponível do FGTS ou até R$ 1.000, prevalecendo sempre o maior valor. A estimativa oficial é injetar até R$ 8,2 bilhões na economia por meio dessa modalidade, além da liberação de R$ 7 bilhões provenientes do saque-aniversário residual. Como contrapartida comportamental, o governo impôs uma restrição rigorosa: os cidadãos que aderirem ao Novo Desenrola ficarão bloqueados de utilizar plataformas de apostas online por um ano. “Não pode renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet”, justificou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ocasião do anúncio do programa. Fies e Crédito Empresarial O programa também atualizou os números do Desenrola Fies, voltado aos estudantes com parcelas atrasadas do Fundo de Financiamento Estudantil (contratos firmados até 2017), e apresentou o balanço das linhas de crédito para pequenos negócios, que passaram a ter regras mais flexíveis, prazos mais longos e maior tolerância a atrasos. Balanço do Desenrola Fies: Descontos oferecidos (Resolução nº 66/2026): Balanço do crédito empresarial: Expectativa popular e cenário econômico O redesenho do programa ocorre em um cenário de alto endividamento no país. Dados de abril da Serasa revelam que 83,3 milhões de brasileiros estão com o "nome sujo". O Banco Central aponta que o comprometimento da renda das famílias com dívidas atingiu 49,9% em fevereiro de 2026, o maior nível da série histórica iniciada em 2005. Apesar dos indicadores econômicos, uma pesquisa do Datafolha, realizada entre 12 e 13 de maio com 2.004 pessoas em 139 municípios (margem de erro de dois pontos percentuais), indica uma recepção favorável à iniciativa governamental: O levantamento revela que o otimismo é maior entre os mais jovens (25 a 34 anos), moradores da região Nordeste, eleitores do atual presidente e cidadãos com renda de até dois salários mínimos. O Ministério da Fazenda estuda agora a ampliação da medida. De acordo com o ministro Dario Durigan, uma nova etapa do projeto, o "Desenrola para adimplentes", está em fase de elaboração para beneficiar também os consumidores que estão com as contas em dia.