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Uma nova pesquisa eleitoral realizada pela Futura Inteligência, divulgada nesta sexta-feira (22), aponta o desgaste na pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e o consequente isolamento na liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento reflete o impacto do vazamento de mensagens de áudio envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, ocorrido em 13 de maio. Conduzida por telefone entre os dias 15 e 20 de maio com 2 mil eleitores, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula amplia vantagem no cenário espontâneo No levantamento espontâneo, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados —, o presidente Lula registrou 37,9% das intenções de voto, contra 24,9% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em 11 de maio, o petista contabilizava 34,9% e o senador tinha 27,8%. Com essa variação, a diferença entre os dois principais concorrentes passou de 7,1 para 13 pontos percentuais. Ainda na modalidade espontânea, outros nomes foram citados pelos eleitores: Romeu Zema (Novo): 1,9% Ronaldo Caiado (PSD): 1,2% Renan Santos (Missão): 0,9% Ciro Gomes (PSDB): 0,6% Ratinho Jr (PSD): 0,1% Augusto Cury (Avante): 0,1% Os pré-candidatos Aldo Rebelo (DC) e Eduardo Leite (PSD) não pontuaram nesse cenário. Os eleitores indecisos somam 19,2%, enquanto os votos em branco e nulos registram 8,4%. Três cenários testados para o primeiro turno A pesquisa estimulada apresentou três listas diferentes de potenciais candidatos para o primeiro turno das eleições presidenciais. No cenário principal (Cenário 1), Lula lidera com 42,7% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 35,6%. Cenário 1 (com Flávio Bolsonaro e Romeu Zema) Lula (PT): 42,7% Flávio Bolsonaro (PL): 35,6% Romeu Zema (Novo): 3,9% Ronaldo Caiado (PSD): 3,3% Renan Santos (Missão): 1,7% Cabo Daciolo (Mobiliza): 1,0% Augusto Cury (Avante): 0,9% Aldo Rebelo (DC): 0,4% Brancos/Nulos: 7,8% Indecisos: 2,8% Cenário 2 (sem Flávio Bolsonaro) Na ausência do senador Flávio Bolsonaro, Lula lidera com 39%. Romeu Zema aparece com 13,3%, seguido de perto por Ronaldo Caiado, com 13,1%. Renan Santos pontua com 3,1% e Cabo Daciolo com 2,9%. Augusto Cury atinge 2,6% e Aldo Rebelo alcança 1,6%. Nesse contexto, brancos e nulos sobem para 18,3% e indecisos chegam a 6,1%. Cenário 3 (substituição por Michelle Bolsonaro) Quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é incluída como candidata do PL no lugar de Flávio, Lula registra 40% das intenções de voto contra 27,4% de Michelle. Zema aparece com 7,5% e Caiado com 6,5%. Augusto Cury e Renan Santos empatam com 2%, Cabo Daciolo fica com 1,3% e Aldo Rebelo obtém 0,4%. Brancos e nulos somam 9,7% e indecisos são 3,1%. Mudança de tendência e simulações de segundo turno A Futura Inteligência testou quatro cenários de segundo turno. Na disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro, o atual presidente passou a liderar numericamente com das opções de voto, contra 42,2% do senador. Os votos brancos e nulos equivalem a 9%, e 1,2% não soube responder. Embora o petista ostente uma vantagem numérica de 5,5 pontos percentuais, a situação configura um empate técnico devido à margem de erro de 2,2 pontos. No levantamento anterior a 11 de maio, Flávio Bolsonaro estava à frente numericamente, com 46,9% contra 44,4% de Lula. Nos demais cenários de segundo turno simulados pelo instituto, os resultados foram:

Queda de Flávio Bolsonaro não beneficia terceiros nomes De acordo com a análise técnica dos dados feita pelo instituto, a perda de apoio do senador não se traduziu em crescimento direto de Lula ou de candidaturas da chamada "terceira via". O diretor da Futura Inteligência, José Luiz Orrico, explicou o comportamento do eleitorado após o episódio do vazamento.
"Houve impacto, e o interessante é que o Lula não sofreu alteração, não foi para cima nem para baixo, as intenções do Flávio é que tiveram queda. Em outras pesquisas, ele venceria no segundo turno."
Orrico explicou que a alta taxa de rejeição de Lula atua como um fator de contenção e impede a migração direta de votos.
"Neste tipo de questão é preciso esperar, porque Lula tem uma rejeição grande e se Flávio não demonstrar capacidade de reação, pode ser que outro candidato apareça. Caso não apareça este candidato, os eleitores que saíram dele não vão para o Lula, vão para os brancos e nulos."
O diretor acrescentou que pré-candidatos como Romeu Zema, Renan Santos e Ronaldo Caiado seguem estagnados nas pesquisas. Segundo Orrico, "quando temos dois candidatos que polarizam a pesquisa, onde se vê somente o nome de um ou de outro, não é tão comum que um terceiro candidato apareça com tanta facilidade". Redes sociais podem projetar nomes como Renan Santos, mas isso ainda não gera reflexos nos levantamentos quantitativos. Nomes especulados, como o do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa e o do deputado federal Aécio Neves, permanecem sem definição factual. A estabilização real do quadro eleitoral é prevista apenas para o segundo semestre. “Pode acontecer de tudo, o jeito é esperar. Vamos ter agora o começo das campanhas e, até hoje, nunca vi uma campanha com tantos fatos acontecendo. Fatos atrás de fatos”, declarou Orrico, que vê o cenário consolidado a partir de agosto. Origem do desgaste O recuo nos índices de Flávio Bolsonaro ocorre em decorrência do áudio divulgado pelo veículo Intercept Brasil no dia 13 de maio. Na gravação gravada, o senador solicita recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A finalidade do repasse era financiar a produção do filme “Dark Horse”, que aborda a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações publicadas apontam para uma negociação com contribuição prevista de US$ 24 milhões, dos quais US$ 10 milhões já teriam sido quitados em pagamentos estendidos até o ano de 2025. Dados da pesquisa Identificação no TSE: Registro número BR-06529/2026. Amostragem: 2.000 eleitores entrevistados por telefone, com idade igual ou superior a 16 anos. Abrangência: 878 municípios de todas as regiões do Brasil. Período de coleta: Entre os dias 15 e 20 de maio de 2026. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Grau de confiança: 95%.