
Os deputados federais capixabas Amaro Neto e Da Vitória, ambos do PP, protocolaram na Câmara dos Deputados, em Brasília, requerimentos para retirar suas assinaturas de duas emendas que modificam a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Os pedidos de retirada foram registrados na quarta-feira (20), após a repercussão de que os textos apoiados poderiam adiar as mudanças por até 10 anos e permitir jornadas de até 52 horas semanais. Com os pedidos de retirada, as emendas seguem apoiadas por apenas dois deputados federais do Espírito Santo: Evair de Melo (Republicanos) e Messias Donato (União Brasil). O recuo de Amaro Neto e Da Vitória A mudança de postura dos deputados do PP ocorre depois que os nomes dos parlamentares apareceram entre os signatários das emendas apresentadas na última quinta-feira (14) pelos deputados Tião Medeiros e Sérgio Turra. Em nota conjunta enviada à imprensa nesta quinta-feira, os deputados afirmaram que a retirada das assinaturas busca evitar “interpretações equivocadas” sobre suas posições. “A decisão foi tomada para evitar interpretações equivocadas sobre o posicionamento dos parlamentares, que deixam claro ser favoráveis à PEC e votarão pela aprovação da proposta”, diz o comunicado. Na terça-feira (19), os deputados haviam declarado que assinaram as emendas para permitir a discussão do tema na Comissão Especial da Câmara e garantir mais tempo de adaptação para as empresas. Na nova manifestação, reiteraram que o debate sobre a redução da jornada é “legítimo, necessário e precisa avançar no Congresso Nacional, sempre com responsabilidade e amplo diálogo”. Os parlamentares também afirmaram que qualquer alteração no modelo de trabalho deve ser construída “ouvindo trabalhadores, especialistas e setores envolvidos, garantindo segurança para os empregos, para a renda das famílias e para a economia”. Messias Donato mantém assinatura e alega "fake news" Diferentemente dos colegas de bancada, o deputado Messias Donato optou por manter sua assinatura e rebater as reportagens que apontavam seu apoio às emendas, classificando as publicações como "fake news". Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o deputado negou a autoria de qualquer voto contrário aos trabalhadores. "Nunca votei para aumentar a jornada de trabalho para 52 horas e nem para barrar a PEC por 10 anos. Isso é uma mentira. Sou a favor do fim da escala 6x1", declarou. O deputado argumentou que a emenda era "apenas uma sugestão", necessária para o debate nas comissões, em defesa das micro e pequenas empresas. "Por isso dizer que fui contra a PEC 6x1 é uma covardia, sendo que ela ainda nem foi votada, é apenas uma falácia eleitoreira", concluiu. A posição do deputado, no entanto, esbarra no rito legislativo. De fato, Donato não "votou" a favor das emendas, uma vez que a matéria sequer chegou à fase de votação nas comissões ou no plenário. Contudo, pelo regimento interno da Câmara, o ato de assinar uma Emenda à Constituição não é uma mera formalidade: trata-se do requisito que exige um quórum mínimo de 171 assinaturas para que um texto alternativo ganhe vida e passe a tramitar. Sem esse endosso, as emendas seriam sumariamente arquivadas. Até o início da tarde desta sexta-feira (22), a assinatura do parlamentar ainda constava nas propostas. O conteúdo das emendas A PEC original, em tramitação na Câmara, prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas. As emendas sugeridas pelos deputados do Sul do país, no entanto, alteram o limite de 44 para 40 horas semanais e estabelecem uma série de exceções. Ambas encampam diretamente os pleitos de entidades patronais e estabelecem condições rígidas para a implementação da nova jornada. Apoiada por 176 assinaturas (mínimo exigido é 171), a proposta do deputado Sérgio Turra (PP-RS) foca na criação de um longo período de transição, atrelado a gatilhos econômicos, e na flexibilização por acordos diretos. O texto prevê: