
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, justificou nesta segunda-feira (25) a visita do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ao banqueiro Daniel Vorcaro, realizada enquanto este cumpria prisão domiciliar sob monitoramento de tornozeleira eletrônica. De acordo com o dirigente partidário, o encontro teve como objetivo assegurar a continuidade dos recursos financeiros para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em meio à repercussão do caso e ao recuo em pesquisas eleitorais, o parlamentar viajou a Washington em busca de uma agenda política internacional. Financiamento de cinebiografia Em entrevista concedida ao Estúdio i nesta segunda-feira (25), Valdemar Costa Neto classificou a reunião entre o senador e o dono do Banco Master como uma "coisa normal" e "a coisa mais natural do mundo". O presidente do PL alegou que o parlamentar buscava o restante das verbas para a produção cinematográfica sobre seu pai. “Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. [Vorcaro] estava sendo investigado, não foi condenado a nada”, declarou Valdemar. O dirigente partidário afirmou ainda que soube do encontro por meio dos veículos de comunicação. "Pela imprensa. Nunca soube; ele nunca falou sobre isso. No dia em que estourou, nós fizemos uma reunião para ver como é que ele ia responder, e aí ele [Flávio Bolsonaro] disse que teve [a reunião] porque tinha necessidade de arrecadar dinheiro para o filme do pai", explicou. Valdemar complementou que não vê irregularidades na captação com o banqueiro, apontando que o problema existiria caso os recursos fossem públicos: "Nós não temos dúvida de que foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país, mas isso é normal. (...) Eu acho que se o Flávio tivesse pedido o dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal, teria problema, porque seriam órgãos públicos". Na semana anterior, Flávio Bolsonaro já havia confirmado a jornalistas a realização do encontro com Vorcaro após a primeira prisão do empresário, ocorrida no final de 2025. Na ocasião, o senador afirmou que o intuito era "botar um ponto final nessa história, é dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo, e o filme não correria risco". Manutenção da pré-candidatura Apesar do desgaste provocado pelo episódio, Valdemar Costa Neto assegurou que a posição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato do partido ao Executivo Federal está mantida e descartou outros nomes da legenda. "Ele [Flávio Bolsonaro] é o candidato do [Jair] Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história porque ele vai ganhar as eleições. A Michele está fora de questão. Ela não é candidata à presidência", sentenciou. Reflexos nas intenções de voto As revelações envolvendo a proximidade com o proprietário do Banco Master resultaram na primeira agenda negativa de Flávio Bolsonaro desde o lançamento de seu nome na corrida presidencial. O cenário gerou impacto direto nos índices de aprovação popular aferidos pela pesquisa mais recente do instituto Datafolha. Nas simulações de primeiro turno, o senador registrou recuo de quatro pontos percentuais, passando de 35% para 31% das intenções de voto. No mesmo levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, oscilou de 38% para 40%, ampliando a vantagem em relação ao segundo colocado de três para nove pontos. Em projeções de segundo turno, onde antes se constatava um empate técnico em 45%, Lula avançou para 47%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou para 43%. Os dados do Datafolha revelaram ainda que 36% do eleitorado entrevistado ainda não tomou conhecimento dos fatos envolvendo o pré-candidato do PL e o banqueiro. Viagem aos Estados Unidos Na tentativa de reverter os índices negativos, Flávio Bolsonaro cumpre agenda em Washington, nos Estados Unidos. A equipe do parlamentar planeja uma reunião com o ex-presidente americano Donald Trump, prevista para esta terça-feira (26), embora a Casa Branca ainda não tenha emitido uma confirmação oficial sobre o dia do encontro. A pauta que o senador pretende discutir com as lideranças norte-americanas abrange a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, além de debates sobre a garantia da liberdade de expressão nas plataformas digitais no Brasil. A intermediação da viagem junto à ala ideológica ligada a Trump foi coordenada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do pré-candidato. Eduardo reside em território norte-americano há mais de um ano, período no qual atua politicamente no exterior enquanto permanece sob investigação no Brasil por suspeitas de articulações internacionais contra autoridades do país e financiamento irregular.