
A Câmara dos Deputados aprovou, perto da meia-noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que extingue a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal no Brasil de 44 para 40 horas. A aprovação da matéria, que estabelece a manutenção integral dos salários, ocorreu por ampla maioria: foram 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno, e 461 votos a 19 no segundo turno. A proposta agora será encaminhada ao Senado Federal para nova análise e votação. A mudança histórica nas leis trabalhistas foi viabilizada a partir de um texto substitutivo apresentado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O documento unificou a PEC 221/19, de Reginaldo Lopes (PT-MG), e a PEC 8/25, de Erika Hilton (PSOL-SP). A medida contou com forte apoio do governo federal e adesão de grande parte da oposição, incluindo parlamentares do PL. Votação da bancada capixaba No Espírito Santo, a aprovação contou com o apoio integral da bancada federal na Câmara. Todos os 10 deputados capixabas registraram voto favorável à medida nos dois turnos de deliberação. Veja como votaram os deputados do ES: Amaro Neto (PP) – Sim Da Vitória (PP) – Sim Evair de Melo (Republicanos) – Sim Gilson Daniel (Podemos) – Sim Gilvan da Federal (PL) – Sim Helder Salomão (PT) – Sim Jack Rocha (PT) – Sim Messias Donato (União) – Sim Paulo Foletto (PSB) – Sim Victor Linhalis (PSB) – Sim Regras de transição e nova escala 5x2 A implementação da nova jornada não será imediata. O texto aprovado, após acordo entre o governo federal e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prevê um cronograma de adaptação para os empregadores de até 14 meses após a promulgação da PEC. O calendário de transição funcionará da seguinte forma:
"Mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família. Ao descanso. À vida além do trabalho", afirmou o presidente, agradecendo a condução de Hugo Motta.O presidente da Câmara, por sua vez, ressaltou os pilares da negociação: "Tratei três pilares como inegociáveis para esta Casa e para o governo federal: a redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e a manutenção dos salários dos trabalhadores." No plenário, a deputada Dandara (PT-MG) relembrou sua experiência no comércio: "Eu conheço porque eu vivi. Eu sei que a escala 6x1 não cabe no calendário. Não cabe, porque não é sobre tempo, somente, é sobre a vida". A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) destacou que a pauta é uma demanda antiga das centrais sindicais. Próximos passos e PEC alternativa no Senado Para entrar em vigor, o texto precisa ser aprovado no Senado em duas votações, com no mínimo 49 votos favoráveis. A tramitação dependerá da pauta definida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem sofrido pressão de setores do empresariado para retardar a análise, argumentando contra a discussão em período eleitoral. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, indicou que o governo buscará diálogo com Alcolumbre: "O Senado também terá a sabedoria de ouvir o grito da sociedade brasileira". Segundo o Instituto Datafolha, em pesquisa realizada em março, 71% da população apoiava o fim da escala 6x1. Paralelamente, a oposição já se articula na Casa Alta. Um grupo de 36 senadores protocolou na madrugada desta quinta-feira (28) a PEC 12/2026. Encabeçada por parlamentares ligados ao setor produtivo, incluindo Flávio Bolsonaro (PL), e elaborada no gabinete de Rogério Marinho, a proposta alternativa permite que a jornada seja definida por "livre pactuação contratual direta" entre empregado e empregador, prevalecendo sobre negociações coletivas. O texto da oposição também prevê que os salários e benefícios (como férias e 13º) sejam proporcionais à carga horária efetivamente trabalhada.