
O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue em todo o território nacional. A interrupção é uma medida de precaução para investigar 42 casos de eventos adversos raros e incompatíveis com os estudos clínicos, dos quais três foram graves e dois resultaram em óbito. Até o momento da paralisação, mais de 500 mil doses haviam sido aplicadas desde o início do ano, o que torna as reações correspondentes a 0,008% do total administrado no Sistema Único de Saúde (SUS). Investigação e precaução Os casos identificados pelo sistema padrão de farmacovigilância do governo apresentaram sinais de alerta severos, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Segundo o Ministério da Saúde, ainda não há resultado conclusivo que comprove a relação direta de causalidade entre as mortes e a aplicação do imunizante.
"Essa descontinuidade tem um objetivo. Primeiro, trata-se de uma ação de precaução que deve sempre orientar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando estamos falando de vacinação", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele acrescentou que a medida permite que o ministério, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundem as investigações sobre os óbitos.O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, garantiu que não há dúvidas sobre a eficácia da vacina até o momento. Para analisar os episódios de forma técnica, a Anvisa formará um painel de especialistas que trabalhará em conjunto com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai). Impacto na campanha de vacinação A Butantan-DV vinha sendo aplicada em profissionais de saúde da atenção primária e, de forma ampliada, no público de 15 a 49 anos em municípios específicos: Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO). Com a nova decisão, as secretarias de saúde locais foram orientadas a manter as doses remanescentes em suas redes de frio, sendo estritamente proibido o descarte do material. A vacina de dose única, aprovada pela Anvisa em novembro de 2025, era a principal aposta de longo prazo do SUS para a imunização em massa da população. O contrato inicial do governo federal, no valor de R$ 367,9 milhões, previa a entrega de 3,9 milhões de doses até 2027, com uma expectativa de ampliação para cerca de 60 milhões de doses por meio de uma parceria do Butantan com a fabricante chinesa WuXi Vaccines. O Ministério da Saúde informou que não há um cronograma definido para o término das análises. "O tempo é o tempo necessário para que se conclua a investigação. Por isso a gente não coloca um prazo. Vamos cobrar diariamente o que está acontecendo", explicou o ministro Padilha, complementando que a agilidade na definição do uso da vacina é a prioridade. O Butantan já reconheceu que a suspensão exigirá uma reavaliação no ritmo de produção. Enquanto a situação é analisada, o SUS continuará utilizando exclusivamente a vacina Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, destinada à rede pública. O governo comprou cerca de 10 milhões de doses deste imunizante em 2024, das quais 8 milhões já foram entregues, havendo a previsão de recebimento de mais 9 milhões de unidades entre 2026 e 2027. Orientações para a população vacinada As autoridades de saúde esclarecem que a suspensão não invalida a proteção daqueles que já foram imunizados. No entanto, as pessoas que receberam a Butantan-DV devem monitorar o próprio estado de saúde por 21 dias após a injeção. A orientação médica é buscar atendimento clínico imediatamente em caso de sintomas associados aos sinais de alarme: