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A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 10 de junho, mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto em um eventual segundo turno com 44% contra 38% do senador Flávio Bolsonaro, encerrando o quadro de empate técnico que se mantinha desde o mês de março. O levantamento estatístico, realizado por meio de entrevistas presenciais com 2.004 eleitores entre os dias 5 e 8 de junho, capta pela primeira vez a reação do eleitorado nacional a episódios políticos e econômicos recentes, como a divulgação de conversas entre o parlamentar do PL e um banqueiro preso, além das novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo norte-americano. Movimentação no eleitorado independente Os dados indicam que o distanciamento de seis pontos percentuais entre os dois principais candidatos foi impulsionado pelo segmento de eleitores classificados como independentes, que correspondem a um terço do total de votantes e não se identificam com a esquerda, com a direita, com o lulismo ou com o bolsonarismo. Nesse grupo, o candidato do PT subiu de 29% para 37% nas intenções de voto para o segundo turno, enquanto o representante do PL recuou de 31% para 24%. Entre esses eleitores independentes, 30% afirmaram que não votariam em nenhum dos dois nomes. De acordo com a série histórica da Quaest para o segundo turno, em agosto de 2025, Lula detinha uma vantagem de 16 pontos percentuais, que caiu para dez pontos em dezembro, época do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Nos meses subsequentes de 2026, os números apontavam 41% a 41% em março, 42% de Flávio contra 40% de Lula em abril, e 42% de Lula contra 41% de Flávio em maio. Na simulação atual de segundo turno, os votos brancos, nulos ou de cidadãos que declararam que não pretendem comparecer às urnas somam 14%, e os indecisos representam 4%. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explicou o comportamento do eleitorado diante do cenário atual: "A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula". O cientista político apontou ainda que o senador do PL registrou uma oscilação negativa entre os eleitores de direita não bolsonaristas, segmento no qual mantinha 90% das intenções de voto em abril e que agora se fixou em 82%. Repercussão do caso do Banco Master A análise dos dados aponta que a alteração de patamar do candidato do PL está relacionada com a avaliação pública sobre o chamado Caso Master, que envolveu o vazamento de mensagens e áudios de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro a respeito de um repasse de 61 milhões de reais destinados ao financiamento do filme Dark Horse, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador argumentou publicamente que a ausência de divulgação sobre a origem do dinheiro ocorreu em função de uma cláusula de confidencialidade contratual e que não foram utilizadas verbas públicas. A sondagem aponta os seguintes percentuais de percepção da população sobre o caso:

A pesquisa também monitorou o impacto direto desse episódio na intenção de voto. Para 12% dos entrevistados, o conhecimento do caso diminui a vontade de votar no senador para a Presidência da República, enquanto 6% relatam que o episódio aumenta o interesse em votar nele. Para 50% dos ouvidos, a posição permaneceu inalterada porque já não votariam no candidato de qualquer forma, e 26% mantiveram a intenção prévia de apoiá-lo. O percentual de brasileiros que apontam a família Bolsonaro como a principal afetada negativamente pelo escândalo subiu de 9% em maio para 16% em junho. O índice de conhecimento geral sobre o fato aponta que 42% declaram-se bem informados, 25% sabem do assunto mas estão mal informados e 33% desconhecem o caso. Impacto das medidas do governo norte-americano O questionário da Quaest dedicou um bloco para avaliar o posicionamento dos brasileiros frente às recentes deliberações do governo de Donald Trump direcionadas ao Brasil, dividindo as opiniões em relação às tarifas comerciais e à segurança pública. No que tange à proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que se encontra em fase de proposta após investigações de restrições comerciais por Washington, 46% dos entrevistados apoiam a tese defendida por Lula de que a medida representa uma retaliação ao funcionamento do sistema Pix. Por outro lado, 36% concordam com a interpretação de Flávio Bolsonaro de que as taxas configuram uma reação direta às críticas públicas desferidas pelo presidente brasileiro à gestão dos Estados Unidos. Dez por cento não concordam com nenhuma das justificativas e 8% não souberam responder. Ademais, 47% dos eleitores manifestaram concordância com as declarações de Lula que acusam Flávio Bolsonaro de ter influenciado a Casa Branca a adotar o tarifaço contra o país, enquanto 35% acreditam na versão do senador, que afirma ter solicitado a Donald Trump que não impusesse as taxas comerciais ao mercado brasileiro. De forma geral, 53% acreditam que as punições econômicas norte-americanas trarão prejuízos diretos para empresas e bancos do Brasil. No âmbito da segurança e do crime organizado, o anúncio dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas era de conhecimento de 63% dos entrevistados. Quanto ao mérito da medida adotada por Washington, o eleitorado dividiu-se de forma exata: 45% concordam com a classificação feita pelo governo estrangeiro e 45% discordam. No entanto, 60% consideram que cabe ao governo brasileiro efetuar essa classificação interna de terrorismo, contra 29% que discordam. Sobre a influência política do senador no anúncio feito pela gestão Trump, ocorrido um dia após reunião de Flávio com o secretário de Estado Marco Rubio, 47% avaliam que o parlamentar brasileiro participou da indução da medida, contra 37% que descartam sua interferência. Cenários de primeiro turno e avaliações de outros candidatos Na simulação para o primeiro turno da eleição presidencial, que agora conta com 13 pré-candidatos oficiais contra os dez testados em maio, o presidente Lula lidera com 39% das intenções de voto, mantendo estabilidade em relação ao mês anterior. O senador Flávio Bolsonaro aparece na segunda colocação com 29%, apresentando uma redução de quatro pontos em comparação aos 33% registrados no levantamento de maio. A listagem completa dos pré-candidatos testados no primeiro turno apresenta os seguintes patamares: Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 39% Flávio Bolsonaro (PL): 29% Renan Santos (Missão): 3% Ronaldo Caiado (PSD): 3% Aécio Neves (PSDB): 2% Romeu Zema (Novo): 2% Augusto Cury (Avante): 1% Joaquim Barbosa (DC): 1% Samara Martins (UP): 1% Cabo Daciolo (Mobiliza): 0% Edmilson Costa (PCB): 0% Heró Bezerra (PRTB): 0% Brancos, nulos ou nenhum: 9% Indecisos: 10% O levantamento marcou as inclusões inéditas do deputado federal Aécio Neves e do ex-ministro Joaquim Barbosa, este último figurando na vaga anteriormente ocupada por Aldo Rebelo. Entre todos os eleitores entrevistados, 63% definiram sua escolha de voto como definitiva para outubro, enquanto 36% declararam que ainda podem mudar de opção até o dia do pleito. Nas projeções alternativas de segundo turno montadas pelo instituto de pesquisa, o atual presidente mantém a liderança em todos os confrontos diretos, enfrentando diferentes forças políticas da oposição: Comentando a estruturação do voto de direita no primeiro turno, o diretor da Quaest observou que, embora o bolsonarismo permaneça consolidado em torno de Flávio Bolsonaro com 94% de fidelidade, a direita não bolsonarista apresenta fissuras. Nesse extrato específico, 11% indicam voto em Renan Santos, 10% pretendem votar em Lula e 6% apontam preferência por Ronaldo Caiado. Nunes complementou que os demais nomes da direita não conseguem melhorar seu desempenho contra Lula a ponto de serem mais competitivos que Flávio, citando que Zema oscilou negativamente e está a dez pontos de distância do atual mandatário. Estabilidade na aprovação da gestão federal Os indicadores de avaliação do governo federal demonstraram resiliência e estabilidade diante dos acontecimentos políticos, mantendo o quadro de polarização equilibrada. O índice de desaprovação à gestão do presidente Lula oscilou dentro da margem de erro, passando de 49% em maio para os atuais 48% em junho. A aprovação ao terceiro mandato registrou 47%, contra 46% aferidos no levantamento anterior. Cerca de 5% dos entrevistados preferiram não responder. Na divisão detalhada sobre a qualidade do trabalho executado, 34% dos cidadãos consideram o governo ótimo ou bom, o mesmo índice de maio. Os que avaliam a administração como regular totalizam 26%, contra 25% do mês anterior. A classificação ruim ou péssima foi a escolha de 38% dos entrevistados, recuando um ponto em relação aos 39% de maio. A consolidação e melhora dos índices de aprovação de Lula concentraram-se em estratos demográficos específicos, beneficiados por medidas de cunho social e econômico, como o programa de renegociação de dívidas Novo Desenrola e a ampliação da isenção do Imposto de Renda. A percepção positiva do governo expandiu-se nos seguintes segmentos: Em contrapartida, no segmento de maior poder aquisitivo, que recebe acima de cinco salários-mínimos, a aprovação ao governo federal recuou quatro pontos percentuais, estabelecendo-se em 35%. No campo político da esquerda não lulista, a desaprovação ao presidente cresceu de 9% para 13% nos últimos dois meses. Geograficamente, a aprovação avançou além da margem de erro na Região Sudeste, subindo de 40% para 43%, com a desaprovação caindo de 54% para 51%. Nas outras regiões, as variações ficaram dentro da margem técnica, sendo que a Região Nordeste permanece como a única localidade com maioria absoluta favorável à gestão federal, registrando 61% de aprovação contra 34% de desaprovação. Na divisão por gênero, 49% das mulheres aprovam a administração contra 44% que a desaprovam, enquanto 53% dos homens desaprovam as ações do Palácio do Planalto contra 44% de opiniões favoráveis. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-07661/2026, apresentando margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.