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A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou taxa de 0,58% em maio, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de apontar uma desaceleração em relação aos 0,67% registrados no mês de abril, o índice acumulado nos últimos 12 meses atingiu 4,72% e ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), impulsionado principalmente pelo encarecimento dos alimentos, da habitação e dos custos com saúde. Pressão nos preços e impacto por setores A taxa de 0,58% é a mais alta para o mês de maio em cinco anos. A última vez que o indicador superou esse patamar no mesmo período foi em 2021, com 0,83%. O número atual também contrariou as previsões do mercado financeiro, que projetava uma mediana de 0,53%, segundo a agência Bloomberg. Em maio do ano passado, a variação mensal havia sido de apenas 0,26%. De acordo com o IBGE, três grupos concentraram a maior parte da alta dos preços e explicam o resultado do mês:

Política monetária e taxa de juros A aceleração do acumulado de 12 meses, que passou de 4,39% até abril para 4,72% em maio, coloca a inflação fora do intervalo de tolerância da meta contínua do Banco Central (BC). O centro da meta para 2026 é de 3%, com um limite máximo estipulado em 4,5%. O teto não era rompido desde outubro do ano passado. Pela regra atual, a meta é considerada descumprida se o indicador permanecer por seis meses consecutivos acima desse limite. Esse cenário afeta diretamente a condução da política monetária do país. O Comitê de Política Monetária (Copom), ligado ao BC, iniciou um ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) em março. No entanto, o avanço da inflação acendeu um alerta entre os analistas do mercado, que temem a interrupção precoce desse ciclo de quedas. Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano. O Copom voltará a se reunir na próxima semana para definir o novo patamar da taxa, com a decisão programada para a quarta-feira (17). Paralelamente, as expectativas do mercado financeiro continuam a piorar. O boletim Focus, publicado pelo BC na última segunda-feira (8), mostrou que a projeção para o IPCA em 2026 subiu para 5,11%, marcando a 13ª semana consecutiva de alta nas estimativas. Influência do clima e cenário externo A piora nas projeções inflacionárias para o ano é explicada por uma combinação de fatores climáticos e tensões geopolíticas. No cenário internacional, a guerra no Irã tem pressionado as cotações do petróleo e gerado dificuldades no transporte marítimo, o que já reflete no Brasil por meio da alta nos preços dos combustíveis. No mercado interno, o desafio para o segundo semestre é o fenômeno climático El Niño. As previsões apontam para um evento de forte intensidade, capaz de alterar a distribuição de chuvas e prejudicar a produção agropecuária. Como consequência, economistas já revisaram suas projeções e estimam que a inflação da alimentação no domicílio possa acumular uma alta igual ou superior a 7% até o final de 2026.