
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) mapeou 55 projetos estratégicos para a modernização e ampliação da infraestrutura de transporte no Espírito Santo. As obras demandam investimentos estimados em R$ 26,9 bilhões e integram o Plano CNT de Transporte e Logística 2026, com o objetivo de orientar as decisões do setor público e privado e superar os gargalos logísticos capixabas. Do total de intervenções identificadas para o território capixaba, 48 são classificadas como Projetos de Integração Nacional e sete são voltadas a Projetos Urbanos. As propostas estão distribuídas em diferentes modalidades, abrangendo rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, terminais logísticos e ações de mobilidade urbana. Segundo a CNT, as indicações refletem a vocação econômica do Espírito Santo, cuja economia possui forte ligação com as operações portuárias, o comércio exterior e os corredores ferroviários responsáveis por conectar o estado de Minas Gerais ao litoral. Investimentos no setor portuário Para a infraestrutura portuária, o levantamento reúne propostas direcionadas à construção de três novos empreendimentos no estado. A estimativa é que essas três obras exijam aportes da ordem de R$ 9,2 bilhões. A iniciativa visa reforçar a posição do Espírito Santo como uma das portas principais para a entrada e saída de mercadorias no comércio internacional do Brasil. Obras rodoviárias e ferroviárias O portfólio também apresenta um conjunto expressivo de obras para a malha rodoviária capixaba. O plano prevê a duplicação de 253 quilômetros de pistas e a construção de 345,6 quilômetros de novos trechos. Ainda nas rodovias, há projetos para a adequação de 467,9 quilômetros de vias e a recuperação do pavimento em outros 245,3 quilômetros. Na área de mobilidade urbana, o mapeamento indica a implantação de 86,2 quilômetros de sistemas de priorização para o transporte coletivo. No setor ferroviário, o documento identifica a necessidade de construção de 363,5 quilômetros de novos trechos. O plano aponta também a urgência de eliminação de quatro gargalos operacionais nas vias férreas. Essas medidas ferroviárias têm o propósito de fortalecer a integração entre os corredores de cargas que cruzam o estado e as regiões produtoras do Sudeste brasileiro. Aeroportos e terminal logístico Para complementar a infraestrutura de transportes, a carteira de projetos inclui a adequação de dois aeroportos no Espírito Santo e a construção de um terminal logístico. Essas intervenções específicas têm como foco a ampliação da conectividade da região e a busca por maior eficiência nas operações logísticas. Dados logísticos do estado O documento utiliza dados recentes que dimensionam a relevância estratégica do Espírito Santo para a logística nacional. O estado registra um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 209,8 bilhões e abriga uma população de 3,8 milhões de habitantes. A infraestrutura local conta atualmente com 3.898,3 quilômetros de rodovias pavimentadas. Na área ferroviária, a malha é operada pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Essas linhas de trem movimentaram um total de 102,4 milhões de toneladas de cargas no ano de 2025. No setor marítimo, o Espírito Santo possui um porto organizado e oito Terminais de Uso Privado (TUPs). Em conjunto, essas estruturas foram responsáveis pela movimentação de 137,4 milhões de toneladas de cargas, também em 2025. No mesmo período, os dois aeroportos comerciais do estado registraram o transporte de 3,4 milhões de passageiros. Plano de abrangência nacional As propostas voltadas ao Espírito Santo fazem parte do Plano CNT de Transporte e Logística 2026, um documento nacional que engloba 2.837 projetos em todas as modalidades de transporte. Para a execução de todas as obras mapeadas no país, a estimativa aponta para R$ 2,03 trilhões em investimentos capazes de impulsionar a competitividade, reduzir custos e ampliar a capacidade de movimentação de cargas e pessoas. A elaboração do plano nacional reuniu projetos em vários estágios de maturidade, desde estudos iniciais e propostas até obras que já estão em execução. O mapeamento atualizou iniciativas anteriores da confederação, incluiu demandas do setor transportador e considerou programas estruturantes dos governos federal e estaduais. Visão do setor transportador A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, destaca a importância da regionalização dos investimentos para o crescimento econômico do país. Ela afirma que a competitividade nacional depende da capacidade de cada estado superar seus próprios gargalos e se integrar aos demais mercados.
"O Plano CNT mostra que o desenvolvimento da infraestrutura de transporte precisa ser pensado de forma estratégica e de longo prazo, considerando as necessidades e as potencialidades de cada região e, ao mesmo tempo, integrando esta realidade local a perspectiva nacional. Desta forma, conseguimos identificar as oportunidades de investimento, público e privado, e contribuir para subsidiar decisões que podem aumentar a eficiência logística, reduzir custos e fortalecer a competitividade do país", declarou a diretora.